Como Funciona o Licenciamento de uma Habitação

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Quem nos liga a perguntar por uma casa de madeira faz quase sempre a mesma pergunta a seguir: e a câmara, o que diz? A resposta curta é que a câmara diz exatamente o mesmo que diria a uma moradia de tijolo. A madeira não é um atalho legal.

A lei olha para o uso, não para o material

Este é o ponto que mais custa a interiorizar. O Regime Jurídico da Urbanização e Edificação não distingue entre paredes de madeira e paredes de alvenaria. Distingue entre construções destinadas a habitação e construções que não o são; entre obras com carácter permanente e obras amovíveis. Uma casa de madeira com fundação, água, luz e esgotos é uma habitação permanente — ponto final.

Os cinco passos, por ordem

1. Pedido de informação prévia. É o passo que quase toda a gente salta e é o único verdadeiramente indispensável. Pergunta-se à câmara, por escrito, se naquele terreno é possível construir para habitação, com que área e com que condicionantes. A resposta é vinculativa. Custa pouco e evita comprar um terreno onde nunca se poderá viver.

2. Projeto de arquitetura. Assinado por arquiteto inscrito na Ordem. É o que traduz a casa em desenho: implantação, plantas, cortes, alçados, áreas.

3. Projetos de especialidades. Estabilidade, redes de água e esgotos, eletricidade, comportamento térmico, acústica, segurança contra incêndios. São vários projetos, de vários técnicos, e é aqui que se perde mais tempo do que se espera.

4. Alvará de construção. Aprovados os projetos, a câmara emite o alvará. Só a partir daqui é legal começar a obra — incluindo mover terras.

5. Licença de utilização. Terminada a obra, a câmara verifica se o que está no terreno corresponde ao que foi aprovado. Sem esta licença, a casa não é habitável do ponto de vista legal, não se liga definitivamente às redes e não se vende com escritura limpa.

O que realmente atrasa o processo

Não é a madeira. São três coisas, quase sempre: o terreno não ter a classificação de solo adequada, faltar um projeto de especialidade que ninguém se lembrou de pedir, e o tempo de resposta da câmara, que varia enormemente entre municípios.

Há câmaras em Portugal que despacham uma informação prévia em pouco mais de um mês. Há outras onde o mesmo pedido dorme meio ano. Se está a decidir entre dois terrenos em concelhos diferentes, isto é uma variável real e vale a pena informar-se.

As exceções — e o que elas não são

Existem construções dispensadas de licença: estruturas amovíveis, sem fundação, sem ligação permanente às redes, normalmente sujeitas a mera comunicação prévia. Um abrigo de jardim assente em blocos, sem casa de banho e sem contador, cabe aqui.

O que não cabe aqui é uma casa onde se dorme, se cozinha e se toma banho. Já vimos pessoas convencidas de que, por a casa ser pré-fabricada e “poder ser desmontada”, estariam isentas. Não estão. E a fiscalização, quando chega, não pergunta pela intenção — pergunta pelo alvará.

E a nossa parte nisto

Fabricamos e montamos a casa. O licenciamento é conduzido pelos técnicos que subscrevem os projetos — arquiteto e engenheiros — e é com eles que o processo corre. O que fazemos é entregar-lhe a informação técnica da casa de que precisam: áreas, dimensões, estrutura, materiais, cargas.

Não vendemos casas prometendo que “não precisa de licença”. Quem lhe disser isso está a poupar-lhe uma conversa difícil hoje para lhe dar um problema muito maior daqui a três anos.

Antes de tudo o resto

Se ainda não comprou o terreno, faça o pedido de informação prévia antes de assinar. Se já o comprou, faça-o na mesma, antes de encomendar seja o que for. É o passo mais barato de todo o processo e é o único que responde à pergunta que interessa.

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