Este é o percurso completo, do dia em que se decide até ao dia em que se entra. Está por ordem porque a ordem é metade do problema — quase todos os desastres que vimos começaram com dois passos trocados.
Fase 1 — Antes do terreno
Defina o programa: quantas pessoas, quantos quartos, habitação permanente ou uso esporádico, orçamento total (não só o da casa). Com isto na cabeça, olhe para os modelos: a gama vai do T0 com 42 m² ao T6 com 145,39 m².
E depois, o passo que quase toda a gente salta: o pedido de informação prévia. Antes de assinar a compra do terreno, pergunte à câmara, por escrito, se pode construir ali, para habitação, com aquela área. A resposta é vinculativa. Custa uma fração do valor do terreno e responde à única pergunta que interessa.
Fase 2 — O terreno
Verifique, para lá do preço: viabilidade construtiva, acessos para transporte pesado e espaço de manobra, distância aos pontos de ligação de água, eletricidade e esgotos, declive, drenagem e orientação solar. Vá ver o terreno depois de um dia de chuva forte — é a visita mais informativa que fará.
Documentos em ordem: caderneta predial, certidão de registo, confrontações certas, sem ónus nem servidões escondidas.
Fase 3 — Projetos e licenciamento
Projeto de arquitetura, por arquiteto inscrito na Ordem. Projetos de especialidades: estabilidade, águas e esgotos, eletricidade, térmica, acústica, incêndios. Submissão camarária, apreciação, eventuais correções, alvará de construção.
Só depois do alvará é legal mexer no terreno. Esta fase é a mais longa de todas e o seu prazo depende do município.
Fase 4 — Preparação do terreno e fundação
Limpeza, movimentação de terras, acessos, fundação. A fundação depende do terreno e por isso a orçamentamos sempre à parte: um terreno plano e um terreno em pendente não custam o mesmo, e não vamos fingir que custam.
A casa assenta elevada, com ventilação por baixo do pavimento. Não é um capricho de estilo — é a peça que faz a casa durar.
Fase 5 — Fabrico e montagem
A casa é produzida em pinho nórdico maciço certificado FSC e chega ao terreno pronta a montar. A montagem faz-se em dias. Instalações de água, eletricidade e esgotos vêm executadas, prontas a ligar às redes exteriores.
Fase 6 — Ligações, vistoria e licença de utilização
Ligações definitivas às redes. Vistoria camarária. Licença de utilização — o documento que torna a casa legalmente habitável e que permite escritura limpa, hipoteca e venda.
Fase 7 — Viver lá
Mantenha a ventilação sob o pavimento sempre desimpedida. Renove o tratamento das superfícies exteriores periodicamente, com mais frequência nas fachadas mais expostas. Dê uma volta à casa uma vez por ano, no fim do inverno. É pouco trabalho e é o que faz a diferença entre uma casa que dura anos e uma que dura décadas.
O orçamento completo — o que somar
- Terreno.
- Projetos, taxas camarárias, levantamento topográfico.
- Preparação do terreno e fundação.
- A casa, montada.
- Ligações às redes ou fossa, se não houver saneamento.
- Impostos e escritura.
A casa é uma parcela. Quem orçamenta só a casa leva um susto no fim — e é por isso que discriminamos tudo o que depende do terreno em vez de dar um número redondo que soa bem ao telefone.
Onde começar hoje
Diga-nos onde fica o terreno (ou onde anda à procura), quantas pessoas vão viver lá e para quando. É com essas três respostas que se começa a sério.
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